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Não foram as fake news que derrubaram a fiscalização do PIX, mas a falta de clareza do Governo Lula

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Sempre que escrevo um texto, me faço a seguinte pergunta: “Quem vai ler, independente da classe social ou nível de estudos, vai entender?”. Se a resposta for “sim”, posso publicar. Essa é a chave da comunicação, não existir ruídos. E esse foi o principal erro do Governo Lula 3.0 ao publicar o ato normativo da Receita Federal que monitora as transações via PIX onde não visualizaram dois pontos chaves na atualização desse sistema.

Primeiro: A dificuldade do brasileiro médio em receber informações sobre mudanças que podem afetar o seu dia-a-dia e fazê-lo “perder” dinheiro com algo que a principio foi criado para facilitar sua vida. A minha geração, na casa dos trinta e poucos anos, talvez não se lembre das dificuldades financeiras que nossos pais já passaram. Seja com mudanças abruptas de planos econômicos irresponsáveis, inflação galopante ou apenas ter que gerenciar salários que não chegam ao fim do mês. A maioria dos brasileiros, assim como eu e você, quer viver tranquilamente, com a mínima sensação de que o país está melhor do que décadas atrás. Dito isto, qualquer situação fora da normalidade é incomoda e deixa dúvidas.

E se existe algo pior para um governo, seja ele de direita ou esquerda, é a dúvida. Não adianta. Se as coisas não forem bem explicadas, onde todos entendam a mesma linguagem, é a sinal da tempestade perfeita para se instalar o caos. E foi isso que aconteceu desde o começo com esse ato normativo que foi desvirtuado em muitos aspectos, mas suscitou dúvidas até os mais ferrenhos defensores do Lula 3.0. “Será outra promessa vazia”, “Além da picanha, vão tirar também do PIX?”, “Se não querem taxar, pra quê monitorar?”.

Entendem? A dúvida é a premissa do caos. Em qualquer governo, antes de fazer mudanças como essas, são necessárias várias análises sobre os desdobramentos que vem a seguir. E aqui entra o trabalho da Secretaria de Comunicação que está perdida no personagem e não soube agir com antecedência e contornar uma crise que foi criada pelo próprio governo. E mais: a comunicação do Governo Lula 3.0 é a mais do primeiro mandato e não consegue acompanhar as utilizações de novas tecnologias de comunicação de massa. Tudo é muito “old fashion”, não há novidade que instigue. O que vemos é apenas um governo perdido rodeado de pequenos incêndios que ao se juntarem se tornam um grande e flamejante monstro de fogo chamado: opinião pública.

Segundo ponto: a capacidade da oposição de criar arapucas versus a inocência do Governo Lula 3.0 em cair nessas armadilhas. Vou ser bem direto, o vídeo do deputado federal Nycolas Ferreira foi uma sacada genial. Do ponto de vista de estratégia política, se eu fosse Lula, contrataria a equipe do parlamentar. O fundo preto, o texto claro, simples, didático. O menos é mais. Até Dona Cacilda, moradora dos confins do sertão da Paraíba, brilhou os olhos ao assistir o deputado externar sua opinião sobre o monitoramento do PIX. Tudo milimetricamente pensado para que a mensagem chegasse ao máximo de brasileiros possíveis e de todas as classes. Óbvio que há ufanismo e demagogia com pitadas de falso heroísmo, mas convenhamos, qual político nunca se utilizou desse artificio, não é mesmo?

O problema é que essa não é a primeira vez que o Governo Lula 3.0 acaba caindo nessas artimanhas. E aqui está o ponto crucial se o presidente quiser terminar esse mandato de maneira honrosa, visto que não deve disputar uma nova eleição. Lula precisa se reinventar de alguma maneira. Seja deixando de lado o discurso de polarização política, seja se livrando dos bajuladores incompetentes que o rodeiam e apenas afagam seu ego enquanto está presidente. Do contrário, vamos observar o Lula 3.0 sucumbir à própria imagem no espelho. Um tipo de Narciso Tupiniquim (3.0).

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